Os desafios relacionados a mão de obra que sustenta e proporcionará a continuidade da suinocultura marcaram as discussões da manhã desta quinta-feira (13), no encerramento do 18º Simpósio Brasil Sul de Suinocultura (SBSS). A escassez, qualificação, necessidade de atrair, desenvolver e reter profissionais, além da chegada de novas gerações ao mercado de trabalho e os processos de sucessão nas propriedades estiveram entre os temas abordados pelos palestrantes Rogério Facin e Anderson Queirós.
Os desafios para atrair, desenvolver e
manter profissionais, de acordo com, Facin envolve tanto os jovens que chegam
às propriedades como sucessores quanto aqueles que ingressam no mercado de
trabalho como colaboradores. “Falamos sobre a Geração Z, tanto dos filhos dos
proprietários, quanto de todo esse universo de profissionais que está chegando
ao mercado e que possui características diferentes de quem está trabalhando
hoje”, explicou.
A apresentação também ampliou o olhar
para as mudanças que estão ocorrendo no mercado de trabalho mundial. Entre os
dados apresentados, Facin aponta que 59% dos trabalhadores precisarão passar
por requalificação e 44% das habilidades consideradas centrais deverão mudar
nos próximos anos. Nesse cenário, atividades repetitivas e processos manuais
tendem a perder espaço, enquanto competências como pensamento analítico e
crítico, criatividade, compreensão de inteligência artificial e Big Data,
resiliência, flexibilidade, aprendizagem contínua, empatia, liderança e
inteligência emocional ganham importância.
Um dos pontos centrais da palestra é o turnover e o custo provocado pela
dificuldade de manter as pessoas certas nas funções adequadas. Dados
apresentados por Facin apontaram índices de turnover entre 30% e 45% no segmento no Paraná e em Santa Catarina, tendo como
referência informações do Caged.
NOVAS
GERAÇÕES
A relação da Geração Z com o trabalho
também ocupou espaço importante na discussão. Facin chamou atenção para um
cenário no qual apenas 11% dos
jovens afirmam querer trabalhar na indústria, enquanto 58% preferem trabalhar
por conta própria, conforme dados apresentados da Fiesp, Senai-SP e Instituto
Locomotiva. Para o palestrante, aspectos como autonomia, flexibilidade e
propósito ajudam a compreender esse comportamento.
Entre as características relacionadas à
Geração Z apresentadas por Facin estão fluência digital e aprendizado ágil,
foco em eficiência e inovação, consciência socioambiental e busca por
conhecimento técnico e especialização. Ao mesmo tempo, aparecem desafios
relacionados à expectativa de crescimento rápido, comunicação presencial,
atividades repetitivas e adaptação às rotinas produtivas que funcionam 24 horas
por dia.
Para aproximar e reter esses jovens,
Facin apresentou três movimentos
práticos: mostrar de forma atrativa os bastidores e a realidade das
propriedades; substituir processos excessivamente formais por conversas que
também busquem compreender o que o jovem deseja aprender e apresentar o
propósito do negócio; e reservar tempo para ouvir e desenvolver os
profissionais. “Uma hora por semana para ouvir, entender o que está bom, onde a
pessoa quer chegar e o que aprendeu, com intenção genuína”, exemplificou.
Na palestra “Capital Humano e Sucessão: Preparando a Próxima Geração e as Equipes
de Alta Performance”, Rogério Facin, da Go Winners, aborda as
características da Geração Z, considerando tanto os jovens que chegam às
propriedades como sucessores quanto aqueles que ingressam no mercado como
colaboradores. A apresentação também analisa as competências que tendem a
ganhar relevância diante das transformações tecnológicas e das novas relações
com o trabalho.
Facin destaca que 59% dos trabalhadores precisarão de requalificação e 44% das
habilidades centrais deverão mudar nos próximos anos. Entre as competências
que ganham espaço estão pensamento analítico e crítico, criatividade,
letramento em inteligência artificial e Big Data, resiliência, flexibilidade,
aprendizagem contínua, empatia, liderança e inteligência emocional.
“Vamos falar sobre a Geração Z, tanto
dos sucessores, ou seja, os filhos dos proprietários, quanto de todo esse
universo de profissionais que está chegando ao mercado e que possui
características diferentes. Também vou trazer o que está acontecendo no mundo e
quais são as competências que as empresas estão buscando. Em algum momento isso
vai chegar aqui e impactar os negócios”, explica Facin.
Outro ponto abordado é o impacto da
rotatividade de profissionais. Dados apresentados pelo palestrante apontam turnover entre 30% e 45% no segmento no
Paraná e em Santa Catarina. Em uma simulação utilizada durante a palestra,
a substituição de um operador de maternidade com salário de R$ 2,5 mil pode
representar aproximadamente R$ 9,8 mil, considerando custos de admissão e
desligamento, perdas biológicas e impactos sobre a gestão e a cultura da
equipe. Em um quadro de 50 colaboradores com turnover de 40%, o cálculo chega a
R$ 196 mil em um ano.
“Conversando com muitos produtores,
percebi muito essa questão de como está difícil contratar e manter pessoas. Vou
mostrar em números quanto custa não ter a pessoa certa no lugar certo e trazer
algumas dicas práticas para conseguirmos manter os colaboradores dentro da
empresa”, afirma.
A palestra também propõe uma reflexão
sobre a maneira como as empresas e propriedades enxergam a Geração Z. Facin
lembra que as críticas dirigidas aos jovens não são exclusivas da geração
atual. “Ouvimos muito que essa geração é ‘mimimi’, mas precisamos lembrar que,
há 30 anos, a geração que estava entrando no mercado também sofria as mesmas
reclamações. O ciclo se repete”, observa.
Entre as características atribuídas à nova geração estão
fluência digital, aprendizado ágil, busca por eficiência e inovação,
consciência socioambiental e interesse por conhecimento técnico. Em
contrapartida, aparecem desafios relacionados ao trabalho repetitivo, à
expectativa de crescimento rápido, à comunicação presencial e à adaptação às
rotinas produtivas 24 horas por dia.
ESCASSEZ
E QUALIFICAÇÃO DA MÃO DE OBRA
Complementando o debate, o
médico-veterinário Anderson Queirós,
da Atualtech Consultoria e Instrutoria, ministrou a palestra O Apagão de Mão de Obra e o Desafio da
Qualificação. A apresentação foi estruturada em quatro momentos:
contextualização do problema, análise da escassez de profissionais, desafios
relacionados à qualificação e apresentação de experiências práticas.
Queirós ressaltou que a dificuldade de
encontrar profissionais não é uma exclusividade da suinocultura brasileira. O
palestrante analisou onde estão as vagas, quais fatores interferem na atração
de pessoas e, principalmente, o que as empresas e propriedades podem fazer para
se tornarem mais atrativas. “Esse desafio está acontecendo no mundo todo.
Depois de abordar o problema, vamos falar sobre onde estão essas vagas, o que
podemos fazer para nos tornar mais atrativos e, na sequência, entrar nos
desafios da qualificação, nas metodologias e nas ferramentas de gestão de
pessoas”, explicou.
Uma das questões levantadas está no
contraste entre as necessidades da produção e as expectativas atuais dos
trabalhadores. A suinocultura opera 24
horas por dia, 365 dias por ano, exige atenção nos finais de semana e
envolve o cuidado permanente com animais. Paralelamente, há uma busca crescente
por qualidade de vida, escalas mais flexíveis, menos trabalho nos finais de
semana e menor pressão por resultados. Diante desse cenário, Queirós defendeu
que o desafio não está apenas em convencer profissionais a aceitar as
características da produção, mas em repensar os sistemas para que continuem
atrativos às pessoas.
A discussão também passou pela concepção
das estruturas produtivas. Entre os exemplos apresentados está um projeto de
granja para 10,5 mil matrizes no
qual aspectos relacionados à disponibilidade de pessoas foram considerados
desde a definição da localização e da infraestrutura. O projeto contempla,
entre outras características, vila com moradias, estruturas pensadas para
facilitar limpeza e manejo e organização dos fluxos produtivos.
QUALIFICAR
COM PROPÓSITO
ParaQueirós, um dos principais desafios
da qualificação está no método utilizado para desenvolver profissionais
adultos. “Precisamos lembrar que estamos discutindo com adultos e não utilizar
os mesmos métodos que aprendemos na escola. Dentro dessa linha da andragogia, é
importante alinhar expectativas. Eu não posso treinar uma equipe sem que ela
entenda o propósito real daquele treinamento”, ressaltou.
A comunicação também apareceu como parte
desse processo. Queirós destacou a necessidade de transformar orientações em
padrões claros e verificáveis, utilizando recursos como procedimentos
operacionais, fichas de lote, planos de ação e informativos técnicos.
Como exemplo prático, o
médico-veterinário apresentou um trabalho desenvolvido em 2020, durante a
pandemia de Covid-19, em três unidades de produção com 18 mil matrizes e 178
colaboradores. Ao todo, 32 líderes participaram de seis módulos teórico-práticos
voltados à liderança, comunicação, priorização e gestão do tempo, em um cenário
marcado pelo alto absenteísmo.
Para enfrentar os desafios futuros,
Queirós apontou caminhos que passam pela simplificação dos processos, automação
de atividades repetitivas ou que exijam esforço físico, capacitação contínua
com objetivos claros, fortalecimento do senso de pertencimento, estratégias de
retenção e construção de uma cultura organizacional capaz de transformar
conhecimento em rotina.