Médicos veterinários discutiram medidas de biovigilância e biosseguridade para garantir a proteção das granjas e assegurar a produtividade da cadeia produtiva
A adoção de medidas de
biovigilância e biosseguridade são estratégias fundamentais para identificar
precocemente alterações sanitárias e possíveis sinais de doenças que possam
afetar as granjas. O tema abriu a programação científica desta quarta-feira (12),
do 18º Simpósio Brasil Sul de Suinocultura (SBSS).
O médico veterinário
espanhol Jordi Baliellas Capdevila apresentou os desafios relacionados à
prevenção e ao controle da Peste Suína Africana (PSA), com destaque para a
experiência da Espanha, onde foram registrados casos da doença em javalis.
De acordo com Jordi, a
situação espanhola reforça a necessidade de medidas rigorosas de biossegurança
tanto no manejo da fauna silvestre quanto dentro das granjas. Na Espanha, até o
momento, os registros da doença estão concentrados em javalis, o que torna
fundamental a adoção de estratégias para evitar que o vírus alcance a criação
de suínos domésticos. “É vital a biossegurança, porque é um vírus que tem uma
persistência muito alta no ambiente. A transmissão pode ocorrer pelo contato
direto entre javalis e suínos, mas também de forma indireta, por meio de
pessoas, veículos, produtos cárneos, calçados e outros elementos
contaminados", destacou.
Na palestra
“Biomanagement e Defesa Sanitária: Estratégias de Mitigação”, o especialista
demonstrou um protocolo para erradicação do vírus dividido em quatro partes:
zoneamento e restrições; busca, remoção e análise de cadáveres; cercas
perimetrais; e despovoamento da população de javalis, por meio da caça ou
captura desses animais com armadilhas.
A experiência
espanhola, segundo Jordi, demonstra que a prevenção precisa ocorrer antes da
chegada da doença às granjas. Entre as principais medidas apontadas estão o
isolamento das granjas em relação à fauna silvestre, com atenção especial às
barreiras e ao perímetro das propriedades, além da separação rigorosa entre
zonas sujas e zonas limpas. O controle deve envolver também vestiários,
troca de roupas e calçados, higienização e desinfecção de veículos e
equipamentos. Caminhões devem permanecer fora da área da granja sempre que
possível e, quando o acesso for necessário, devem passar por procedimentos
adequados de desinfecção.
Na avaliação de Jordi,
a biossegurança depende do controle de todas as atividades humanas relacionadas
à produção. Ele citou alguns pontos importantes como estratégias cruciais de
defesa sanitária para combater a PSA. Em primeiro lugar vem a alta biosseguridade
nas granjas de suínos. Outra questão importante é que regiões de risco precisam
adotar medidas para reduzir a densidade dos javalis. A detecção precoce, com a
criação de um sistema de vigilância com PCR para PSA em cadáveres de javalis
encontrados mortos sem causa conhecida, também é fundamental para uma resposta
rápida. Outro ponto é preparar equipes humanas para lidar com vedações, caça e
busca de cadáveres e como será feita a destruição desses cadáveres. O mais
importante é uma atuação conjunta, pois há vários departamentos e áreas
envolvidas para auxiliar no combate à PSA, então precisamos ter uma grande
integração", concluiu.
CONTROLE DE VETORES
O controle de vetores
como ratos, moscas e baratas é uma das medidas prioritárias para fortalecer a
biosseguridade na suinocultura. O médico veterinário Alisson Mezalira afirmou
que os vetores podem carregar e manter diferentes agentes infecciosos dentro
dos sistemas de produção. Entre os exemplos estão agentes relacionados a
zoonoses, como leptospirose, hantavirose e toxoplasmose, além de outras
enfermidades que podem comprometer a saúde dos animais.
O problema é agravado
pela capacidade de adaptação dos roedores ao ambiente das granjas. “Ratazanas,
por exemplo, podem permanecer por até dois anos no mesmo sistema, perpetuando
essas doenças no sistema e aumentando o risco sanitário", afirmou.
Além dos impactos
desses agentes na saúde dos suínos, a presença de vetores também provoca
prejuízos econômicos e estruturais. Os roedores podem danificar instalações ao
roer cortinas e outros materiais, enquanto as moscas contribuem para o estresse
e a inquietação dos animais, o que pode afetar o desempenho produtivo. “A
manutenção das populações de vetores em níveis baixos também contribui para o
uso prudente de antimicrobianos. Assim contribuímos tanto para a saúde dos
rebanhos, quanto das pessoas que frequentam a granja", ressaltou.
O controle de vetores
não deve ser baseado em um único modelo para todas as propriedades. Alisson
explicou que cada granja apresenta características próprias e os roedores,
principalmente, são capazes de se adaptar às condições encontradas em cada
sistema. Por isso, a implantação de um programa eficiente começa pelo
mapeamento da propriedade, definição dos pontos de monitoramento, distribuição
estratégica de iscas e treinamento das equipes.
A vistoria periódica
dos ambientes é essencial para a vigilância e controle dos vetores. “As equipes
devem ser capacitadas para reconhecer sinais da presença de roedores e outros
vetores, com inspeções semanais ou quinzenais. Devemos implantar um programa de
controle com croquis, mapas e distribuir as iscas estrategicamente. A
identificação desses sinais permite uma intervenção mais rápida e direcionada,
evitando que os vetores se estabeleçam e se multipliquem", salientou.
Entre as estratégias de
controle está, ainda, a utilização correta de raticidas. No caso das ratazanas,
que podem escavar tocas, o produto deve ser colocado diretamente nesses locais,
aumentando a possibilidade de consumo. O acesso à ração também é um dos
principais fatores que favorecem a permanência dos roedores nas granjas. “Em
sistemas de produção de leitões, por exemplo, a disponibilidade constante de
alimento oferece condições para que os roedores permaneçam no ambiente durante
todo o ano", alertou o médico veterinário.