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23 horas atrás

SBSS 2026 debate estratégias para fortalecer a defesa sanitária na suinocultura

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Médicos veterinários discutiram medidas de biovigilância e biosseguridade para garantir a proteção das granjas e assegurar a produtividade da cadeia produtiva

A adoção de medidas de biovigilância e biosseguridade são estratégias fundamentais para identificar precocemente alterações sanitárias e possíveis sinais de doenças que possam afetar as granjas. O tema abriu a programação científica desta quarta-feira (12), do 18º Simpósio Brasil Sul de Suinocultura (SBSS).

O médico veterinário espanhol Jordi Baliellas Capdevila apresentou os desafios relacionados à prevenção e ao controle da Peste Suína Africana (PSA), com destaque para a experiência da Espanha, onde foram registrados casos da doença em javalis.

De acordo com Jordi, a situação espanhola reforça a necessidade de medidas rigorosas de biossegurança tanto no manejo da fauna silvestre quanto dentro das granjas. Na Espanha, até o momento, os registros da doença estão concentrados em javalis, o que torna fundamental a adoção de estratégias para evitar que o vírus alcance a criação de suínos domésticos. “É vital a biossegurança, porque é um vírus que tem uma persistência muito alta no ambiente. A transmissão pode ocorrer pelo contato direto entre javalis e suínos, mas também de forma indireta, por meio de pessoas, veículos, produtos cárneos, calçados e outros elementos contaminados", destacou.

Na palestra “Biomanagement e Defesa Sanitária: Estratégias de Mitigação”, o especialista demonstrou um protocolo para erradicação do vírus dividido em quatro partes: zoneamento e restrições; busca, remoção e análise de cadáveres; cercas perimetrais; e despovoamento da população de javalis, por meio da caça ou captura desses animais com armadilhas.

A experiência espanhola, segundo Jordi, demonstra que a prevenção precisa ocorrer antes da chegada da doença às granjas. Entre as principais medidas apontadas estão o isolamento das granjas em relação à fauna silvestre, com atenção especial às barreiras e ao perímetro das propriedades, além da separação rigorosa entre zonas sujas e zonas limpas. O controle deve envolver também vestiários, troca de roupas e calçados, higienização e desinfecção de veículos e equipamentos. Caminhões devem permanecer fora da área da granja sempre que possível e, quando o acesso for necessário, devem passar por procedimentos adequados de desinfecção.

Na avaliação de Jordi, a biossegurança depende do controle de todas as atividades humanas relacionadas à produção. Ele citou alguns pontos importantes como estratégias cruciais de defesa sanitária para combater a PSA. Em primeiro lugar vem a alta biosseguridade nas granjas de suínos. Outra questão importante é que regiões de risco precisam adotar medidas para reduzir a densidade dos javalis. A detecção precoce, com a criação de um sistema de vigilância com PCR para PSA em cadáveres de javalis encontrados mortos sem causa conhecida, também é fundamental para uma resposta rápida. Outro ponto é preparar equipes humanas para lidar com vedações, caça e busca de cadáveres e como será feita a destruição desses cadáveres. O mais importante é uma atuação conjunta, pois há vários departamentos e áreas envolvidas para auxiliar no combate à PSA, então precisamos ter uma grande integração", concluiu.

CONTROLE DE VETORES

O controle de vetores como ratos, moscas e baratas é uma das medidas prioritárias para fortalecer a biosseguridade na suinocultura. O médico veterinário Alisson Mezalira afirmou que os vetores podem carregar e manter diferentes agentes infecciosos dentro dos sistemas de produção. Entre os exemplos estão agentes relacionados a zoonoses, como leptospirose, hantavirose e toxoplasmose, além de outras enfermidades que podem comprometer a saúde dos animais.

O problema é agravado pela capacidade de adaptação dos roedores ao ambiente das granjas. “Ratazanas, por exemplo, podem permanecer por até dois anos no mesmo sistema, perpetuando essas doenças no sistema e aumentando o risco sanitário", afirmou.

Além dos impactos desses agentes na saúde dos suínos, a presença de vetores também provoca prejuízos econômicos e estruturais. Os roedores podem danificar instalações ao roer cortinas e outros materiais, enquanto as moscas contribuem para o estresse e a inquietação dos animais, o que pode afetar o desempenho produtivo. “A manutenção das populações de vetores em níveis baixos também contribui para o uso prudente de antimicrobianos. Assim contribuímos tanto para a saúde dos rebanhos, quanto das pessoas que frequentam a granja", ressaltou.

O controle de vetores não deve ser baseado em um único modelo para todas as propriedades. Alisson explicou que cada granja apresenta características próprias e os roedores, principalmente, são capazes de se adaptar às condições encontradas em cada sistema. Por isso, a implantação de um programa eficiente começa pelo mapeamento da propriedade, definição dos pontos de monitoramento, distribuição estratégica de iscas e treinamento das equipes.

A vistoria periódica dos ambientes é essencial para a vigilância e controle dos vetores. “As equipes devem ser capacitadas para reconhecer sinais da presença de roedores e outros vetores, com inspeções semanais ou quinzenais. Devemos implantar um programa de controle com croquis, mapas e distribuir as iscas estrategicamente. A identificação desses sinais permite uma intervenção mais rápida e direcionada, evitando que os vetores se estabeleçam e se multipliquem", salientou.

Entre as estratégias de controle está, ainda, a utilização correta de raticidas. No caso das ratazanas, que podem escavar tocas, o produto deve ser colocado diretamente nesses locais, aumentando a possibilidade de consumo. O acesso à ração também é um dos principais fatores que favorecem a permanência dos roedores nas granjas. “Em sistemas de produção de leitões, por exemplo, a disponibilidade constante de alimento oferece condições para que os roedores permaneçam no ambiente durante todo o ano", alertou o médico veterinário.

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