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6 horas atrás

Marcos Jank destaca geopolítica, competitividade e o futuro da suinocultura durante abertura do 18º SBSS

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Encerrando a programação do primeiro dia do 18º Simpósio Brasil Sul de Suinocultura (SBSS), o professor e especialista em agronegócio Dr. Marcos Jank conduziu a palestra de abertura intitulada “A Nova Geopolítica dos Alimentos: Impactos nas Proteínas Animais e na Suinocultura”. A apresentação, ocorreu nessa terça-feira (11), e ampliou o olhar dos congressistas para além das granjas, abordando temas como disputas comerciais, protecionismo, restrições não tarifárias, doenças, volatilidade e mudanças nos fluxos globais de alimentos que interferem diretamente na competitividade da produção brasileira. A palestra foi estruturada em quatro eixos: geopolítica e comércio administrado, vulnerabilidades dos sistemas integrados, futuro das proteínas animais e da suinocultura, além dos principais desafios e oportunidades para o setor.

Dr. Jank destacou que o mundo vive uma transição de um ambiente marcado pela globalização e o livre comércio para outro de maior fragmentação, protecionismo, busca por soberania e segurança. Nesse cenário, a rivalidade entre países, conflitos internacionais e disputas envolvendo commodities estratégicos colocam os alimentos, a energia, fertilizantes e insumos no centro da nova geopolítica. Para o especialista, esse ambiente modifica as relações comerciais e exige maior capacidade de adaptação das cadeias produtivas.

Segundo o prof. Jank “A suinocultura teve um forte crescimento das exportações. O Brasil já é o terceiro maior exportador do mundo e tem condição de continuar avançando. O desafio é entender como essa nova geopolítica pode impactar esse crescimento”.

Ao analisar o agronegócio brasileiro, o palestrante chamou a atenção para uma combinação de fortalezas e vulnerabilidades. Salientou que de um lado, o Brasil possui posição relevante na produção e exportação de alimentos, fibras, celulose e outras commodities, além de ganhos expressivos de produtividade agrícola. Por outro lado, permanece dependente do exterior em comodities importantes como fertilizantes, derivados de petróleo, gás natural, mineração além de limitação na infraestrutura e na logística. Na avaliação de Jank, esse contraste torna a gestão de riscos cada vez mais importante em um ambiente global instável.

Jank mostrou ainda que a agricultura brasileira registrou crescimento expressivo da produtividade total dos fatores nas últimas décadas. Entre 1980 e 2020, a taxa média apresentada para o Brasil foi de 2,5% ao ano, chegando a 3,2% ao ano após 2000, resultado associado a avanços como plantio direto, segunda safra e sistemas integrados de produção.

Na suinocultura, Dr. Jank relacionou os ganhos recentes de produtividade e eficiência ao aumento da oferta e à atual pressão sobre os preços. Segundo ele, o crescimento do volume de abates, a redução dos preços do milho e da soja e a comercialização de animais com maior peso médio contribuíram para esse movimento. Ao mesmo tempo, o consumo doméstico mais enfraquecido e a retração das compras chinesas aumentaram o poder de barganha de outros importadores e comprimiram as margens da indústria e dos produtores.

No comércio exterior, a diversificação de destinos foi apontada como fator relevante para reduzir riscos. Jank indicou mudanças importantes entre os principais compradores da carne suína brasileira entre 2024 e 2025, com participação de mercados como China e Hong Kong, Filipinas, Japão, Chile, Singapura, México, Vietnã, Uruguai e Argentina.

O palestrante também ressaltou que a volatilidade continuará sendo uma característica da atividade. O setor está exposto às oscilações dos preços dos grãos, das carnes, do câmbio, dos juros e dos custos de produção, além de fatores externos relacionados a conflitos e mudanças nas relações comerciais. A própria apresentação classificou as commodities como uma “eterna montanha-russa” e apontou a gestão de riscos como uma das competências essenciais em um cenário de elevada incerteza.

Entre os riscos mais relevantes, o especialista enfatizou a sanidade animal, especialmente a necessidade de impedir a entrada da Peste Suína Africana no Brasil. “Existe um risco enorme, que são as doenças. Precisamos fazer de tudo para que essa doença não chegue ao Brasil, porque uma ocorrência sanitária dessa magnitude comprometeria todo esse processo de crescimento, exportação e conquista de mercados”, alertou.

SOLENIDADE DE ABERTURA

A cerimônia oficial de abertura do evento reuniu lideranças do setor, autoridades e representantes da cadeia produtiva. Em seu pronunciamento, a presidente do Nucleovet, Aletéia Britto da Silveira Balestrin, sublinhou que discutir o futuro da suinocultura significa compreender as transformações que já estão ocorrendo nas granjas, agroindústrias, empresas, universidades, laboratórios, centros de pesquisa e na assistência técnica.

Segundo Aletéia, ao longo de sua trajetória, o SBSS e a Pig Fair ultrapassaram a condição de encontros técnicos e conquistaram espaço como ambientes de conhecimento, inovação, negócios, relacionamento e transformação, aproximando diferentes elos da cadeia para compartilhar experiências e construir novos caminhos para a atividade. “O futuro não espera. O futuro está sendo construído agora. Em cada decisão tomada dentro das granjas, agroindústrias, laboratórios, universidades, campo, pesquisa, assistência técnica e nas empresas que movimentam diariamente a suinocultura brasileira”, ressaltou.

A edição de 2026 também ganha significado especial por ocorrer no ano em que o Nucleovet celebra 55 anos de história. A presidente lembrou que a trajetória da entidade foi construída por gerações de profissionais que dedicaram conhecimento, trabalho, tempo e voluntariado à criação e manutenção de espaços voltados ao desenvolvimento técnico e científico. Para ela, celebrar mais de cinco décadas significa reconhecer esse legado, mas também assumir a responsabilidade de mantê-lo conectado às transformações do setor. “A tradição só permanece relevante quando continua evoluindo. E é exatamente isso que o Nucleovet representa: uma entidade que respeita sua história, valoriza suas conquistas, mas permanece aberta aos desafios e às transformações do futuro”, afirmou.

Aletéia também ressaltou a posição alcançada pela suinocultura brasileira no cenário internacional. Citou projeções para 2026 de produção próxima a 5,9 milhões de toneladas de carne suína e exportações em torno de 1,6 milhão de toneladas, além da presença do produto brasileiro em mais de uma centena de mercados. Segundo ela, esses resultados carregam a credibilidade de uma cadeia construída sobre pilares como ciência, tecnologia, biosseguridade, sustentabilidade e responsabilidade.

A presidente salientou que esse desempenho é resultado do trabalho conjunto de produtores, médicos-veterinários, zootecnistas, pesquisadores, técnicos, profissionais das agroindústrias, universidades, empresas e instituições públicas e privadas. Também destacou o papel de Santa Catarina, maior exportador brasileiro de carne suína e referência internacional em sanidade animal, qualidade e eficiência produtiva. Para Aletéia, essa posição foi construída ao longo de décadas por uma cadeia que compreendeu a sanidade, o conhecimento e a cooperação como diferenciais capazes de ultrapassar fronteiras.

Ela ressaltou ainda que a construção proporcionada pelo Simpósio não se limita às apresentações realizadas no palco. Conversas nos corredores, trocas de experiências, novos relacionamentos e oportunidades geradas na Pig Fair também fazem parte do processo de desenvolvimento do setor. “Cada palestra, conversa nos corredores, troca de experiência e oportunidade criada dentro da Pig Fair. Tudo isso contribui para construir aquilo que ainda não existe: o futuro.”

O prefeito de Chapecó, Valmor Scolari, também ressaltou a importância do evento para o município e destacou a parceria mantida com o Nucleovet. Segundo ele, encontros dessa dimensão contribuem para movimentar diferentes setores da economia local e colocam Chapecó como destino para quem busca conhecimento, negócios e investimentos. “Eventos dessa magnitude movimentam a cidade, especialmente setores como hotelaria, gastronomia, comércio e serviços, fortalecendo uma matriz econômica que gera impactos para Chapecó como um todo”, afirmou.

Scolari também destacou o posicionamento do município na realização de eventos técnicos e empresariais e reconheceu a atuação social do Nucleovet. “Chapecó é destino de quem busca conhecimento e quer fazer investimentos. Também cumprimento o Nucleovet pelo olhar social e pelo apoio às entidades que desenvolvem um trabalho tão importante junto à comunidade”, acrescentou.

AÇÃO SOCIAL

Tradicionalmente, o Nucleovet promove ações sociais em seus eventos. Nesta edição do Simpósio, todo o lucro arrecadado com a NúcleoStore, loja de artigos personalizados, será doado à Clínica Renal Oeste e a Associação dos Pacientes Renais de Chapecó (APARC) e parte das inscrições do simpósio à Associação Recomeço Chapecó. O Nucleovet também realizou uma apresentação institucional para ilustrar a importância das ações sociais desenvolvidas pela entidade. A iniciativa teve como objetivo mostrar aos participantes de diversas regiões do Brasil e também do exterior, o impacto das ações realizadas ao longo do ano, bem como o trabalho das instituições beneficiadas.

Representando a APARC, participaram o Presidente da entidade, Samuel João Marmentini e o membro do Conselheiro Fiscal Jean Kovaleski. Pela Associação Recomeço Chapecó, estiveram presentes a presidente, Dete Zandavalli e a vice-presidente Luciana Bramatti. Também acompanharam a solenidade representantes do Nucleovet: o vice-presidente Marcelo Rocha Nogueira, a tesoureira Claudia Moita Zechlinski dos Santos, a diretora social Celita Mattiello e a segunda secretária, Elis Frigotto, que destacaram o convite para contribuição à causa.

PROGRAMAÇÃO GERAL

• 18º Simpósio Brasil Sul de Suinocultura

• 17ª Brasil Sul Pig Fair

QUARTA-FEIRA (12/08/2026)

Painel Biovigilância - Gestão Integrada

08h00 às 8h40: Biomanagement e Defesa Sanitária: Estratégias de Mitigação

Palestrante: Jordi Baliellas Capdevila

08h45 às 09h15: Vigilância e controle de Vetores: Roedores e Insetos como disseminadores de Patógenos

Palestrante: Alisson Mezzalira

09h20 as 09h50 - Mesa Redonda

09h50 às 10h20: Coffee Break

Painel Alimentação - Desafios e Oportunidades

10h20 às 10h50 – Eixo Imuno-Nutricional: Programação Metabólica da Matriz ao leitão

Palestrante: Jose Soto

10h55 às 11h25 – Imunonutrição: Estratégias Não Farmacológicas para a Resiliência Sanitária

Palestrante: Andres Gomez

11h30 às 12h00: Vigilância Analítica e Gestão de Micotoxinas: Estratégias para Blindar a Performance e a Sanidade

Palestrante: Ricardo Rauber

12h00 às 12h30 – Mesa Redonda

12:30 às 14h00 – Intervalo para almoço

12h30 às 13h30 – Eventos Paralelos

Painel Sanidade - Saúde Respiratória

14h00 às 15h00 – Erradicação de M. hyopneumoniae: Protocolos de Exposição, Estabilização e Eliminação

Palestrantes: Gustavo Silva e Paul Yeske

15h00 às 15:30 – Sincronia Sanitária: O Impacto da Aclimatização de Leitoas na estabilidade do plantel

Palestrantes: Luciano Brandalise

15h30 às 16h00: Coffee Break

16h00 às 16h40 – Influenza em Foco: Impactos e alternativas de controle

Palestrante: Ricardo Yuti Nagae

16h45 às 17h25 – Ambiência 4.0: Conectividade, Bem-Estar e Eficiência Energética na Suinocultura

Palestrante: Lederson Trindade de Lima

17h35 às 18h00 – Mesa Redonda

18h30 às 19h30 – Evento Paralelo Exclusivo (MSD)

20h00: Happy Hour na PIG FAIR

QUINTA-FEIRA (13/08/2026)

08h30 às 09h10 – Alimentação de Precisão: Sensores, Conectividade e Eficiência Nutricional

Palestrante: Bruno Silva

09h10 às 09h30 – Perguntas

9h30 às 10h00 – Coffee Break

Painel Pessoas - Gestão e Performance

10h00 às 10h30 – Percepção vs. Realidade: Comunicação Estratégica para Mitigar Erros e Maximizar Resultados

Palestrante: Creici Lamonato

10h35 às 11h05 – Capital Humano e Sucessão: Preparando a Próxima Geração e as Equipes de Alta Performance

Palestrante: Rogério Facin

11h10 às 11h40 – O Apagão de Mão de Obra e o Desafio da Qualificação

Palestrante: Anderson Queirós

11h45 às 12h15 – Mesa Redonda

12h15 – Sorteio de brindes e encerramento

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